

12 de sete
Hoje eu não conseguia sair da cama. Acordava e dormia. Quebrei a rotina. Não bebo mais plasma, agora quando estou por aqui preparo o solúvel “Café Bustelo”e só tenho ido ao parque a noite. Estou quase ficando amigo de um morcego. E por falar em morcego, anteontem a noite entraram duas centopéias pela janela do apartamento. Não sei se eram centopéias pareciam mais duzentopéias, cada uma. Criaturas saídas dos livros de Burroughs. Uma eu esmaguei, a outra está por aí, por aqui, digo. Ontem nem fui ao telhado por causa da chuva. Estou postando duas fotos, uma delas é para as meninas que gostam de esquilo, e talvez, principalmente, para os meninos que gostam desse tipo de esquilo. Ele estava na Time Sq. A moça cavalo estava na 14St.E uma oferta de Marlboro. Hoje preparei meu solúvel e fui fumar o meu matinal no telhado. Sofri um lapso de lucidez que não me lembro ter provado isso antes, não nessa intensidade, mas fiquem tranqüilos, já passou. Vamos falar sobre ontem. Da minha janela podia ver a luz que se projetava até o infinito como símbolo do fantasma das torres. Não posso perder uma piada dolorosa e infame, por que não pensaram nisso antes? Fizessem as torres de luz. É claro que viria um terrorista e puxaria o fio da tomada. Desculpem, dizem que com certas coisas não se brinca. Eu não consigo evitar. Nós somos uma grande piada. Uma piada sem graça, mas uma piada. Vocês perceberam como estou usando “Mas”? E por falar em piada, ontem o ônibus para a Smith St estava impagável. Parecia um numero. Já no ponto havia um casal discutindo aos berros. Um casal branco e junto deles um senhor que deduzo que fosse o pai do animal. O cara gritava com a mulher, sua, Mother fuck pra lá Mother fuck pra cá. Pelo que pude captar do bate-boca alguém ligou para o fulano, provavelmente o agente da condicional, e ela ao invés de dizer que ele estava dormindo disse que ele não estava em casa. De repente o cara meteu uma gravata na mulher arrastou ela para um canto e começou a beijá-la. A moça que deve ter sido bonita numa outra encarnação não se deu por satisfeita e então foi ele quem começou a soltar uns Mother fuck baixinho. Ela tinha poucos dentes e isso fazia a expressão soar de uma forma muito melódica. O ônibus chega. Dentro haviam várias pessoas, mas dois pareciam piratas do Caribe. Um branco tatuado e com brinco de argola um bigode com estilo, o outro lenço na cabeça e dente de ouro. Nisso entra o protagonista, outro pirata, um chicano clássico. Cabelo comprido preso num rabo de cavalos, bigode descendo junto a boca até o queixo. Ele era hilário. Falava com todo mundo e narrava a história de uma mulher que morreu dia desses dentro do vagão do trem que iríamos pegar. Ele disse (tudo de forma bilíngüe a maior parte das palavras em castelhano) que a mulher era uma moça linda, uma “índia” linda mas que ela gostava de “pastilha” e foi engordando, engordando e que havia um “gusano” dentro dela e que ele foi comendo sua cabeça por dentro, os miolos e ela morreu coma cara preta e inchada dentro do vagão. Então eles começaram a falar de superstição e o pirata do Caribe com dente de ouro disse que entrou numa Deli e pediu café e que antes de dar o primeiro gole o café entornou. Ele foi embora porque disse que isso é sinal de que alguém queria o seu café. Alguém ou algo, sobrenatural. Imagina se ele vê minha cena no café Europa? Eu lavando metade das amigas que almoçavam em duplas? Bom, preciso trabalhar. Ontem passei o dia em Manhattam. Encontrei com Capitão Rodriguez pela segunda vez. Almoçamos juntos depois nos juntamos a Maria e fomos ao cinema. Assistimos a um filme de Cawboy, cujo nome era algo como “3:11 for Yahhoo”algo assim. E era cheio desses atores famosos que eu nunca sei o nome. A lu ia gostar do cinema porque depois do aviso de “desliguem o celular” vem um que diz “não conversem durante o filme”. Um beijo a todos.
6 Comentários:
Oi, Lourenço!
Quanto emoção em um dia, hein?!
Acho que essa viagem vai render muito mais que um livro!!!
To me divertindo aqui!!!
bjjjsss
ps. Prefiro o esquilo de perto da sua casa!
haha
O western deve ser 3:11 to Yuma, baseado em um livro do Elmore Leonard. Ontem estava vendo um filme adaptado de outro livro de faroeste dele, "Valdez vem aí", com o Burt Lancaster. A voz na minha cabeça acaba de perguntar "so what".
Este comentário foi removido pelo autor.
eita... esquisito ler esses "beijos a todos" depois de ja ter lido vc antes do blog...
rs
vc ta parecendo tão "fofo"...
sinto falta do cabeção...
Este comentário foi removido pelo autor.
Oi, Lourenço
Eu sou um amigo do Chico e da Mitie da Itiban de Curitiba que mora em NY, sou amigo do povo do Museum of Cartoon, faço uns freelas de hq, animação e ilustração.
Bom, a Mitie ligou para a Lucimar vendo se tinha como acertar da gente se encontrar que eu moro aqui a 10 anos e conheço tudo quanto é buraco de quadrinhos e esquisitices de NY. Estava morando no F train umas duas paradas depois de onde você está até anteontem ( estava na church avenue ) agora mudei para bushwick.
Bom, interessar me manda um e-mail:
adrianowilbur@yahoo.com
meu portfolio está nesse link
http://theabsence.iwarp.com/
Passei meu celular para a Mitie, mas melhor não colocar aqui que sabe Zeus quem lê o blog heheheh
abraço
Adriano
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