amores expresos

quinta-feira, 13 de setembro de 2007




13 de set

LICENÇA POÉTICA.

Acordo
seguidas vezes
no meio
da noite.
Acordo
mas não abro os olhos.
Não tateio o vazio
sei que ele está
Ao meu lado.
Só não sei
Se desperto.
Nos amarrotados lençóis
Da cama que desfiz
Há quase dez
Dias.
Nunca mais alinhei.
Sei que era dia 4
de setembro
dos nossos dias.
Dia que postei
Um mapa
de um lugar familiar e estranho
ao mesmo tempo.
Agora
É cada dia menos
familiar.
Conheço as ruas
que me aprisionam
ao redor.
Acordo e creio não ser
Iliya.
Mesmo ocupando
O seu lugar.
Espero que alguém
Possa ocupar
o espaço
que deixei.
E assim um outro
Que não esse
personagem
de chapéu
possa crer
que sou eu.
E eu pensarei
que voltei.
Cada dia que passa
cria
um novo
Nós.

Hoje cruzei a ponte do Brooklyn a pé pela primeira vez. Embora a impressão não seja essa. Aqui é como se tudo já fosse. Aqui, tudo se viu. Tudo se cruzou. Aqui é um lugar que todos conhecem. É como caminhar na lembrança. Talvez, não na sua própria, mas de qualquer forma, na lembrança. Aqui todo mundo se parece com alguém. Aqui, amanhece sempre de novo. É como naquele filme do dia da marmota. Todas as ruas já foram atravessadas. E todos os esquilos são o mesmo.
O esquecimento é quase um perdão.

6 Comentários:

Blogger Claudia disse...

Adorei as fotos e fiquei muito contente quando o Claudio falou que vc estava escrevendo no blog! Parabéns bem vindo a internet!
bjos Cláudia

13 de setembro de 2007 18:55  
Blogger É engano disse...

o seu texto vai me dando corpo.

ontem mesmo me deu um braço e eu tentei discar com os dedos novos que você me deu e dizer alô. Alô teu texto vai tomando conta dos meus intervalos e já era noite quando lia teu livro e pensava puta que pariu esse cara entende o que eu queria dizer lá trás, quando ainda me pesavam as palavras.

depois virei máquina desaprendi e somente as tuas licenças podem redimir a alegria convulsa que a literatura voltou a me emprestar.

escreva até doer os dedos. até lá, teu texto terá me dado outros e posso ser tua ghost-nada, calando tuas impressões de viagem e atravessando pontes de outros dias.

até lá vai que você me dá pernas e eu aprendo a sair do lugar sem andar.

13 de setembro de 2007 20:25  
Blogger Ivana Arruda Leite disse...

Sem dúvida essa é a melhor definição do que seja andar por essas ruas que não conheço, mas que já conheço porque você me trouxe à lembrança. Beijos

14 de setembro de 2007 05:31  
Blogger Liz Mercadante / red cat disse...

Lembranças do Brooklin [que não conheço]: um fã queria encontrar Paul Auster [que mora no Brroklin e não fala com ninguém, nem fãs, nem mídia, nem por tel. nem por mails]. Colou em postes e em árvores um aviso imenso: preciso falar com Paul Auster, e deu o e-mail. Dizem que Paul, curioso, acabou retornando o méiu, com o endereço eletrônico de uma livraria aí do Brooklin. Na verdade, o fã queria lhe mostrar um original. Não sei o fim da história. Talvez eu a investigasse, se estivesse aí no Brooklin.

14 de setembro de 2007 11:29  
Blogger Eduardo Camargo disse...

mutarelli, dudu da colmeia na linha, como andas? escuta, mandei pro RT o seu twitter - não quer usar nao? é bem simples, a gente criou uma conta proce, é só "twitar".
twitter é como um "microblog" - até 150 caracteres por post. As pessoas podem "seguir" voce, recebendo seus "tweets" conforme voce for "twitando".
enfim, caiu na área é penalti - to por aqui, dudu@colmeia.tv.
abraços e aproveite!

18 de setembro de 2007 18:45  
Blogger Evelina disse...

Muito bonito... porém, triste.
É incrível como todo processo de criação, seja de que natureza for, envolve sofrimento. O verdadeiro artista é sempre um sofredor!

23 de setembro de 2007 21:32  

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