O DE SEMPRE E O ETERNO parte 2






Houve uma pequena ausência de minha parte nesses últimos dias. Coisas a fazer. Amigos que precisava encontrar. Acabei chegando sempre muito tarde e exausto. Fui a YALE em Connecticut com Rodrigo, Maria e Letícia que estudou lá e queria voltar para fazer uma visita e nos apresentar a região. Foi um passeio muito divertido e agradável. Foi como um dia de folga. Um dia fora de Nova York. Anteontem chegou o Tadeu Jungle que está filmando os documentários das viagens dos Amores Expressos. Passei o dia de ontem com ele dando meu depoimento e registrando um pouco da minha rotina diária. Em breve vocês poderão ver, na TV ou em DVD. No fim da noite fomos jantar com Rodrigo & Maria e Mauricio Zacharias. Eu tinha tido o prazer de conhecer o Mauricio outro dia num café da manhã. Ele é uma pessoa incrível e muito amável. Os Rodriguez ( Rodrigo & Maria) são amigos muito queridos e o Tadeu quase me matou de rir. No fim da noite dormi em Manhattam novamente porque a área em que estou em Red Hook não é o lugar mais seguro de NY.
PARTE 2
O Metropolitan é gigantesco. Percorri só a parte de meu interesse. Grécia, Roma, Etruscos e obviamente Egito. É emocionante e triste ao mesmo tempo. Em uma das primeiras postagem que fiz para o blog, meu cunhado Hermes mandou uma mensagem estranhando minhas lamentações a respeito da solidão. Hermes me conhece. Sabe que adoro estar só. Sabe que convivo e aprecio muito essa condição. Mas a solidão que vivo aqui não é minha é de Iliya. Porque cercamos nossa solidão com nossos pertences formando assim uma espécie de casulo. Aqui, nada é meu. Mesmo as coisas que comprei aqui só serão minhas quando eu as colocar em seu devido lugar. Em meu casulo. Até que o pó do tempo e do espaço possa revestir suas formas e tingir suas cores. Assim fizeram os Faraós. Procuraram guardar os objetos que talvez os exteriorizassem. Elementos, coisas que talvez de alguma forma materializassem seus sentimentos internos. E como acreditavam que voltariam um dia, as levavam para os túmulos. Poucos conseguiram dar a matéria tamanha durabilidade como eles fizeram. Hoje, seus pertences estão espalhados pelo mundo. Caso um dia despertem, descobrirão que tudo o que julgavam ser seu, não era. Tudo foi dilapidado e espalhado por vários cantos do mundo. Descobrirão que a posse é temporária e ilusória. Assim funciona. Nada é eterno. Nada é teu. Talvez, nem mesmo o pó persista. Nenhum império, por maior e próspero que seja, permanece.
E o que restar será espalhado em futuros museus. O mais curioso é que o que fica é a arte. Mesmo o verbo morre. A língua é viva e eu acho muito pouco provável que alguém consiga entender, por exemplo, o inglês de hoje daqui a três mil anos. E o que hoje vemos nos museus também haverá deteriorado. Não importa o cuidado com que se guarde.
Provavelmente se encontrará nos museus um enorme M amarelo.
Deduzirão, quem sabe, que era um Deus que amamos.
Não estarão completamente equivocados embora exista um abismo entre isso e o que de fato o M amarelo significa. Da mesma forma procuramos compreender esse povo antigo que construía pirâmides e acreditou no eterno.
O que restar será arte.
Sai do museu em profundo silêncio. Um silêncio, inclusive, interno.
Não era paz o que sentia, era ausência.
Não saí vazio, obviamente, mas tampouco sai saciado.
Acabei inflamando o joelho de tanto que tenho andado esses dias. Mas, mesmo manco seguirei andando. Procurando uma história de amor que se passe em New York.
Meu conforto, é que a minha verdadeira história de amor me espera em casa junto a meu filho, que fez aniversário ontem, e meus queridos gatos.
Um beijo a todos
E meu amor para você, minha menina Lucimar.
9 Comentários:
Uau...
(Desculpe, Lourenço, eu devia escrever algo mais esperto, mas a única coisa que me ocorre é "uau".
Parabéns pelo olhar que vc tem.)
Nossa! Que lindo! Adorei!
E que declaração no final, heim? Lucimar deve ter ido às lágrimas.
Pois é, eu continuo aqui assiduamente lendo tudo e curtindo muito! Parabéns!
Da fã nº ?
Bom dia Lou,
gostei muito das fotos, mas faltou uma imagem do deus, HERMES..rsrsrs
será que ele era gay mesmo?
um abraço amigo
^^ eita que final bonito -"Uau" mesmo
Tudo o que é material não dura .
Eu tinha o costume de colecionar coisas - principalmente comprar muitos LPs, mas era mais voracidade ...
Agora compro com mais prazer , tem mais gosto.
Tive um sonho curioso na época que andei pensando nisso.
Eu andava pela minha casa arrumando esses lps que estavam jogados, uns com capa meio rasgada e sujos. Então eu organizava todos na minha estante e depois uma voz em off dizia "Agora cobre eles para os conservar"
e a cena seguinte num corte era eu em minha cama com lençol branco por cima.
Como um cadaver.
Um pouco pertubador, não? HAhahah
Putz eu acordei na hora assim que "vi" a cena.
Sonhos sempre são interessantes
Beijo! 'Güenta (gosto tanto do trema ;C) as pontas aí =D
sempre sonhei nova iorque pelo olhar do cinema.
a partir de agora, o sonho acabou, outra visão superou a cinematográfica.
nova iorque passa a existir a partir da sua experiência.
eu só existo quando observada pelo teu olhar carinhoso e protetor, portanto, volte logo antes que eu desapareça...
Eu, o Francisco, o Nanquim, a Mia e a Mentira estamos te esperando...
te amamos de amor!!!
siga nas andanças,amigo Muta que suas impressões de NY estão incríveis!
remedinho novo para os joelhos e sebo nas canelas!
abraço!
caramba... bonito o post dele, lindo o comentario dela...
fico feliz por ver duas pessoas que se amam assim, com poesia cotidiana de saudade.
felicidades ó
M.
Lô quanta saudade! Só porque está longe, assim que vc. voltar vou te ver em Sampa matar a saudade do Francisco, Lu e sua.
Estou feliz por vc. meu querido.
Aproveite tudo isto muito, se pudesse estaria aí contigo.
vc. é tatuagem em minha existência.
Te amo para sempre, até a eternidade!
Beijosssssssssssss!
lindo!
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